Conheça o Nióbio, suas utilidades e o mercado

De uns anos pra cá o nome do Nióbio andou na boca de algumas pessoas e em algumas notícias, mas afinal o que ele é? Para saber mais sobre esse elemento basta continuar conosco e nos acompanhar neste artigo.

O que é e por que ganhou notoriedade?

Descoberto em 1801 pelo inglês Charles Hatchett, o Nióbio é um elemento químico que pertence a família dos metais de transição na tabela periódica. Recentemente, este metal vem recebendo muita notoriedade por ser resistente a corrosão e a altas temperaturas, dessa forma, o tornando um material cada vez mais essencial para as novas tecnologias. Além do mais, outro fator que trouxe holofotes para o Nióbio foi o “jogo de xadrez” da geopolítica global, quando o Wikileaks, organização transnacional sem fins lucrativos, vazou informações relatando que o Governo dos Estados Unidos enxergava o Nióbio como um recurso estratégico.

Sendo um dos elementos com menor concentração na crosta terrestre, o Nióbio tem sua ocorrência na natureza sempre ligada a outros elementos. As principais fontes de Nióbio são os minérios: columbita-tantalita, piroclorita e a loparita.

Nióbio: pesquisa derruba equívoco sobre supercondutividade de material à base de nióbio (Reprodução/Wikimedia Commons)
Figura : nióbio. Fonte: Reprodução.

Qual a utilidade do Nióbio?

Como citado anteriormente, o Nióbio é um metal com alta resistência a corrosão e a temperaturas elevadas, tornando-o útil para diversas aplicações. Contudo, apesar de possuir muitas utilidades, a utilização desse metal “começou engatinhar” no início do século XX a partir dos estudos do químico alemão Werner von Bolton que conseguiu isolar o elemento e produzi-lo de forma pura. Posteriormente, durante a Guerra Fria, o mundo passou a virar os olhos para o Nióbio por conta da corrida espacial.

  • Ligas metálicas

Além de possuir um alto ponto de fusão, o Nióbio possui uma afinidade alta com o carbono e o nitrogênio, assim, agregando uma resistência mecânica e ao desgaste abrasivo às ligas metálicas, dessa forma, aumentando o leque de aplicações dessas ligas.

Um exemplo de utilidade dessa liga é na confecção de turbinas de aviões ou de produção de energia, pelo fato de suportar temperaturas elevadas.

Além disso, a adição desse metal ao aço traz impactos positivos a indústria automotiva, produzindo carros leves e resistentes, a construção civil, dando melhor maleabilidade ao aço, e a indústria de transporte de fluidos, permitindo a fabricação de dutos maiores.

Figura : Ligas metálicas de nióbio. Fonte: Reprodução
  • Condutores

Em baixas temperaturas esse elemento se torna um supercondutor, podendo ser utilizado em máquinas de ressonância magnética, estudos de radiação e aceleradores de partículas.

Figura : Acelerador de partículas da Organização Europeia de Pesquisa Nuclear em Genebra. Fonte: Reprodução.
  • Outras aplicações

Fora as aplicações ligadas à indústria e a tecnologia, o Nióbio, por possuir uma característica lustrosa, é utilizado na confecção de joias, além da fabricação de itens como: capacitores cerâmicos, peças de motor, sensores de ph, lentes ópticas, entre outras coisas.

Tereza Xavier lança a coleção “Muguets, Talismãs de Nióbio e Cromoterapia”
Figura : Bijuteria feita com nióbio. Fonte: Reprodução.

Suas reservas no Brasil e no mundo

Quando falamos sobre as reservas de Nióbio do mundo um país recebe um destaque enorme, o Brasil. Segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM), as reservas brasileiras correspondem a 98% do depósito mundial deste metal, tendo quatro estados como produtores, sendo eles, Amazonas, Rondônia, Goiás e Minas Gerais. Os dois últimos estados, em especial, são os que possuem os números mais significativos no que diz respeito a produção, tendo o potencial de produção do minério de pirocloro de 6 milhões e 0,9 milhões de toneladas por ano, nas regiões de Araxá (MG) e Catalão (GO), respectivamente.

Além do Brasil, O Canadá também possuí reservas de Nióbio, sendo o segundo maior produtor do planeta, com 4.167 toneladas por metro anuais. No país, a maior reserva lavrável se encontra no Quebec e está sob posse da companhia de mineração “Niobec”.

Outros países que possuem reservas de Nióbio são Austrália, Ruanda, Nigéria e Moçambique.

Mercado

Pois, agora que já vimos que já vimos que o Nióbio tem inúmeras utilidades e que o Brasil é o país com a maior reserva mundial deste elemento, o mercado deste metal deve ser bem aquecido, não é mesmo? Então… não é bem assim.

Vamos conversar por partes:

  • Como o Brasil se comporta no mercado de Nióbio?

Como é de se imaginar, por possuir uma reserva tão maior que os demais países do mundo, o Brasil é quase autossuficiente para atender as demandas do metal, dessa forma comprando apenas alguns produtos derivados de países como China e Peru, contudo, os números são tão baixos que acabam sendo insignificantes.

Os números da exportação do Nióbio também não são de encher os olhos. Dentre as substâncias metálicas mais produzidas pelo país, o metal é o quinto mais exportado, tendo seus principais compradores sendo Holanda, Japão, China e Estados Unidos. Apesar disso, a alta posição não quer dizer muito, visto que, em uma matéria noticiada pelo site Uol, a exportação deste metal corresponde a apenas 4,2% dos US$ 41,7 bilhões correspondente a todas as substâncias metálicas.

  • Por que esse mercado não é melhor aproveitado pelo Brasil?

O comercio acanhado freia o Brasil de seguir de maneira mais firme na exploração do mineral, o mercado pequeno tanto em território brasileiro quanto no resto do mundo é um dos fatores que torna o Nióbio um mineral “barato” sendo o valor da tonelada vendida para os maiores compradores brasileiros, como, Japão e EUA, por US$ 26 mil, título de comparação em 2017 o ouro era vendido a US$ 40 mil o quilo. Vale salientar que o Nióbio brasileiro não é vendido puro e sim a liga ferronióbio, assim, ele não vendido em bolsas de commodities e seu preço é negociado para cada comprador.

Além disso, o Nióbio pode ser facilmente substituído a depender do uso, metais como tântalo, titânio, tungstênio e vanádio podem realizar essa substituição e por eles serem encontrados em outros países faz com que eles acabem não precisando importar Nióbio.

Por fim, o mercado estável faz com que o preço do mineral também se estabilize, a título de demonstração, no espaço amostral de 2008 a 2019 o preço do Nióbio praticamente acompanhou a inflação do dólar. Por esse motivo o preço do metal não sofreu variações muito bruscas.

  • O mercado pode crescer?

Mas, com tantas coisas positivas desse metal, o mercado dele pode crescer nos anos que vão vir?

Desde a década de 1960 o Nióbio vem dando saltos de utilidade, esses saltos acompanham o avanço das tecnologias, que com o passar do tempo vão encontrando novas utilidades para o elemento, como dito pelo diretor do Instituto Nacional de Mineração, o IBRAM, “O surgimento de novas tecnologias pode levar ao aumento do mercado de Nióbio”. Além do mais, com o ganho de notoriedade já mencionado anteriormente, o surgimento de novos usos não deve demorar a chegar e, assim, potencializar o mercado do Nióbio.


Chegamos ao final desse artigo, mas um questionamento fica, será que o Nióbio vai ajudar o Brasil?

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