Quadrilátero Ferrífero: entenda sobre a região

Você sabia que a presença de minérios como ouro e prata foram agentes importantíssimos para o desenvolvimento de diversas cidades no estado de Minas Gerais?

Da mesma forma, assim como outras diversas cidades que surgiram a partir da presença de recursos minerais exploráveis, Minas se destaca pela presença do chamado quadrilátero ferrífero, região de destaque e importância no cenário nacional e até mundial. Nesse artigo nós te mostraremos mais sobre alguns aspectos importantes da região.

O que é o Quadrilátero Ferrífero? Onde está localizado?

Bom, a primeira coisa que você deve estar se perguntando deve ser ‘’o que é o quadrilátero ferrífero? ’’, e olha só, se foi isso mesmo, agora você vai entender isso e muito mais. Vamos nessa?

Então, o Quadrilátero Ferrífero é uma área do sudeste brasileiro, muito rica em recursos minerais, sendo considerada a mais importante dessa região e até mesmo do Brasil. O quadrilátero está localizado em Minas Gerais, e dentre os munícipios que o compõe temos:

Bom Jesus do Amparo, São Gonçalo do Rio Abaixo, Barão de Cocais, Santa Bárbara, Catas Altas, Alvinópolis, Mariana, Ouro Preto, Ouro Branco, Congonhas, Jeceaba, Belo Vale, Moeda, Itabirito, Rio Acima, Brumadinho, Mario Campos, Sarzedo, Ibirité, Nova Lima, Raposos, Sabará, Caeté, Belo Horizonte, Santa Luzia.

Vários lugares, não é mesmo? A partir disso já dá para imaginar quão grande é o território, cerca de 7000km2. Mas, com base nisso surge outro questionamento, qual a relação do nome Quadrilátero ferrífero? Não nos remete a algo que esteja relacionado com quatro lugares, por exemplo?

O que acontece, ou melhor, o que aconteceu para receber esse nome está relacionado com o fato de que no final dos anos 50, o geólogo Gonzaga de Campos notou que os maiores depósitos de minério de ferro da região se localizavam numa região limitada próximas a linhas que ligam os municípios de Itabira, Mariana, Congonhas, Casa Branca, Itaúna e Rio Piracicaba.

Localização do Quadrilátero ferrífero. Fonte: Reprodução.

Como e quando foi descoberto?

Um ponto importante de se saber é o período em que a reserva foi descoberta, e já te adianto que não foi uma descoberta tão recente.

O Quadrilátero Ferrífero foi descoberto no século XVII, e os primeiros registros do tão importante minério de ferro datam se em 1693. Como ocorreu num período ainda de colonização, muitas cidades foram criadas por causa da presença dos minérios, como o ouro, na região.

Descrição da geologia do quadrilátero ferrífero

Como te falamos anteriormente, o quadrilátero ferrífero é uma região muito importante por ser rica em recursos minerais e beleza, mas qual que é o tipo de estruturas geológicas por ali presentes? É isso que te explicaremos agora, vem conosco.

Basicamente, três grandes conjuntos de rochas compõem a geologia do local, sendo eles:

– Complexo Granítico Gnáissico;

– Supergrupo Rio das Velhas;

– Supergrupo Minas.

Para compreender melhor como que elas são devemos analisar uma a uma, observe:

Coluna estratigráfica do Quadrilátero Ferrífero. Fonte: Reprodução

Complexo Granito-Gnáissico – presente em três regiões diferentes: no centro do Quadrilátero Ferrífero, próximo a cabeceira do Rio das Velhas, chamado Complexo Bação; ao norte da Serra do Curral, denominado Complexo Belo Horizonte; e a oeste da Serra da Moeda, nomeado Complexo Bonfim.

As rochas que estão presentes nessa região são compostas por gnaisses bandados, tendo composição tonalítica e granodiorítica, estas possuem algumas feições de migmatização, que é um processo metamórfico onde são formados os migmatitos. Ocorre também a presença de intrusões graníticas, além de diques e faixas vulcano-sedimentares.

Supergrupo Rio das Velhas – inicialmente era uma bacia vulcano-sedimentar, cheia de rochas vulcânicas do período arqueano, no entanto no período Proterozoico houve a formação de uma bacia sedimentar com pouco vulcanismo. Com isso, após a formação, se deu o processo de Orogênese – que é aquele processo geológico que tem como resultado a formação de cadeias montanhosas e que se relacionam com a tectônica pressional das placas – com presença de dobramentos e metamorfismo.

Em resumo, esse grupo é composto por rochas vulcânicas e sedimentares. Esse conjunto de rochas vulcano-sedimentares originaram várias formações de xisto.

Supergrupo Minas – inicialmente esse grupo ficou depositado numa bacia sedimentar, inicialmente continental e em seguida marinha, com formações de conglomerados, arenitos, rochas carbonáticas e pelitos. Essa bacia foi preenchida por sedimentos originários da erosão do complexo granito gnáissico e do supergrupo rio das velhas.

Ele pode ser subdividido em três unidades: unidade elástica basal (Grupo Caraça), unidade química intermediária (Grupo Itabira) e unidade clástica e topo (Grupo Piracicaba e Sabará).

Minerais encontrados

Agora que você já está por dentro das formações geológicas da região, chegou a hora de conhecer os minérios que são encontrados por lá. E uma coisinha, não fique preso ao ‘’ferrífero’’ e achando que só encontramos ferro por lá, tá?

Apesar das maiores reservas realmente corresponderem aos depósitos de ferro, o quadrilátero possui grandes reservas de ouro, bauxita, calcário, manganês, caulim e argila. Dentre esses se destaca o ouro e manganês, além de, claro, o ferro.

Alguns dados do início do século XXI informam que da região era extraída cerca de 55 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

Vamos falar um pouco sobre esses minerais?

Ferro: Fazendo jus ao nome, e como já comentamos anteriormente, o ferro tem abundância e destaque quando se fala do quadrilátero ferrífero. Dessa maneira, o que nos cabe dizer é que a região foi considerada como a maior jazida do minério do Brasil. Ali se destaca as formações ferríferas bandadas.

É importante destacar que o minério teve e segue sendo de uma importância imensa para o estado de Minas Gerais, desde o seu desenvolvimento quanto para o mantimento da economia e suprimento das demandas globais. Na região tem-se por volta de trinta minas em atividade de explotação. Além disso, grande parte do minério que é explorado tem seu destino voltado ao mercado europeu e asiático, destacando a China e Japão como maiores compradores.

Ouro: Provavelmente você sabe ou já ouviu que Minas Gerais é um grande produtor de ouro, não é? Se não sabia, agora já fica o informe.

O que ocorre é que o ouro em MG é mais bem distribuído que o ferro, no sentido de que não se restringe aos depósitos do quadrilátero. Ainda assim, nas regiões do quadrilátero ferrífero as ocorrências de ouro estão situadas em rochas quartzo-carbonáticas xistosas do supergrupo Rio das Velhas, que comentamos mais cedo, disseminadas com os sulfetos de ferro, cobre e arsênio.

Quando ocorre de maneira diferente é encontrado nas zonas de falhamento dos itabiritos do supergrupo Minas.

Curiosidade: A cidade Ouro Preto tem esse nome devido à coloração negra do ouro encontrado na região. Essa coloração se deve a presença de uma fina película de óxido férrico que as envolve.

Manganês: Por outro lado, temos também a presença do Manganês na região. Esse minério é considerado o décimo segundo mais abundante do planeta. Sua ocorrência é relacionada com óxidos, hidróxidos, silicatos e carbonatos, isso mostra que está associado a diversos minerais, mas poucos deles são minerais-minério, que há possibilidade de ser lavrado.

O Brasil possui cerca de 18,3% do total das reservas mundiais do minério de manganês. Os principais depósitos compreendem localidades no Pará, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, no quadrilátero ferrífero, mais especificamente próximo a cidade de Conselheiro Lafaiete. O minério de manganês é considerado material fundamental na fabricação de ligas metálicas, combinado, especialmente com o ferro, na produção de aço. Pode ser utilizado ainda em ligas de cobre, zinco, alumínio, estanho e chumbo.

Maiores empesas atuantes

Dentre as empresas que estão situadas na região, podemos citar algumas como as principais, levando em conta o seu porte e quantidade de produção.

Para começar, vamos com a maior produtora de minério de ferro do país, a Vale. Só no terceiro trimestre de 2018 ela teve o recorde de produção de finos de minério de ferro, atingindo 104,8 milhões de toneladas.

Em seguida temos a Anglo American. Ela possui as duas unidades de negócio em Niquelândia, Goiás, com produção de níquel e também em Conceição do Mato Dentro-MG produzindo minério de ferro.

A Usiminas também tem suas operações de mineração no quadrilátero ferrífero. Quatro de suas minas estão situadas na região de Serra Azul e nos limites do quadrilátero.

A mineradora já produziu cerca de 52,3 milhões de toneladas de minério de ferro, e ainda teve o recorde de vendas de 800 mil toneladas em um único mês.

Já a  Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) tem sua principal atividade na mina Casa de Pedra e na mina do Engenho, situada no município de Congonhas. As reservas chegam a 3 bilhões de toneladas e também tem uma capacidade de produção de até 30 milhões de toneladas por ano.

Enquanto isso, a Ferrous Resources do Brasil também tem seus principais empreendimentos com as minas Viga, localizadas no Quadrilátero Ferrífero. Vale mencionar também que a produção de minério de ferro da Ferrous atingiu 5.5 milhões de toneladas em 2014.


Enfim, nesse artigo falamos sobre o quadrilátero ferrífero, suas características, os minérios associados à região, além de algumas das empresas que exploram o local. As informações foram pertinentes? Contribuiu para sua pesquisa? Conte nos deixando seu comentário! Estaremos disponíveis também no WhatsApp para esclarecer as dúvidas!

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