Reabilitação ambiental: Como é feita?

Se você é da área de mineração, provavelmente já ouviu o termo recuperação ou reabilitação ambiental. É comum diversos setores da nossa sociedade tratarem dessa questão num momento em que a degradação ambiental é um problema que assola nossa sociedade desde o pós revolução industrial, porém ao longo dos anos a situação vem se agravando de tal forma que devemos buscar cada vez mais maneiras de se alto reciclar.

Recentemente, vimos tanto no Brasil quanto na Austrália diversas queimadas florestais, mesmo que por diferente razões e causas, que não cabe entrar nesse mérito aqui. Fato é que esses acontecimentos nos fizeram ativar um gatilho sobre as questões ambientais que estavam esquecidos por boa parte da sociedade.

Mesmo que seja necessário a degradação ambiental antes disso, com um bom planejamento e antecedência é possível não só reabilitar as condições ambientais pré-existentes, como até mesmo torná-las melhores.

Do que se trata a recuperação ambiental?

Como o nome sugere, a recuperação ambiental vai tratar da reabilitação de áreas degradadas. Esse artigo irá abordar especificamente sobre como a degradação ambiental causada por atividades minerárias pode ser minimizada.

Sabemos que o setor da mineração é uma das atividades humanas que mais degradam a natureza, principalmente com relação a perda da biodiversidade, fertilidade natural do solo e a interferência nos recursos hídricos. Devido a esse fator foi necessário a criação do plano de recuperação ambiental de áreas degradadas (PRAD) que tem embasamento legal no Artigo 255 da constituição federal de 1988.

O PRAD é um conjunto de medidas que visam garantir a segurança e a saúde pública, através do restabelecimento de equilíbrio dinâmico de áreas degradadas pelas ações humanas, de modo a retorná-las às condições desejáveis e necessárias à implantação de um uso pós-degradação previamente eleito e socialmente aceitável.

Esse plano se tornou obrigatório para todo empreendimento minerário e deve ser entregue junto ao Estudo de impacto Ambiental/Relatório de impacto ambiental (EIA/RIMA), tudo isso antes de iniciar o processo extração no local. Portanto o principal o objetivo da reabilitação, trazendo para termos mais técnicos, é a criação de um roteiro sistematizado contendo informações e especificações técnicas organizadas em etapas lógicas para orientar as técnicas de recuperação ambiental.

Importância da reabilitação

Nas condições que nosso ecossistema se encontra não precisamos de muitos motivos para saber que é importante fazer um plano de recuperação bem feito.

Ao por em prática um plano de recuperação bem executado, estaremos apenas compensando a natureza e até mesmo as comunidades próximas pela degradação causada anteriormente, porém podemos estar fazendo mais do que apenas compensando a natureza.

Um bom exemplo é o raio da área que envolve a mina, em muitos casos vemos que a degradação ocorre apenas no ponto de extração, enquanto ao redor da mina se tornar uma área de preservação ambiental, já que dificilmente ocorrerá desmatamento por outras causas, como por exemplo, a agropecuária.

Plano de recuperação de áreas degradadas

Durante a avaliação inicial da área devemos identificar os processos de degradação e os impactos ambientais e a depender do grau e magnitude dos impactos, medidas imediatas e urgentes devem ser tomadas, como o isolamento da área degradada, a remoção de comunidades eventualmente ameaçadas, a instalação de um sistema de sinalização, entre outros.

As seguintes informações devem estar presentes na elaboração do PRAD:

• Conformação topográfica e paisagística;

• Estabilidade, controle de erosão e drenagem;

• Adequação paisagística;

• Revegetação;

• Monitoramento;

• Cronograma Físico;

• Cronograma Financeiro.

Como dito anteriormente, o PRAD deve ser previamente elaborado junto com o EIA/RIMA e aprovado pelo órgão
governamental competente. A recuperação ambiental não é algo que deve ser feito apenas após o fechamento da mina, mas sim um processo contínuo ao longo do desenvolvimento da mina que pode ser divido em fases para buscarmos um melhor entendimento.

1. Avaliação quantitativa ou qualitativamente do grau da degradação;

2. Avaliação da extensão da área na qual a alteração está ocorrendo;

3. Significado ecológico da degradação;

4. Esforços técnicos e econômicos necessários para recuperação;

5. Análise dos riscos à saúde e segurança das comunidades afetadas;

6. Uso do solo circunvizinhos.

Processo de identificação e caracterização da área degradada

1. Mapeamento: Permite delinear toda a área que está sofrendo a degradação ambiental direta ou indireta, aplicando
técnicas como produção de mapas, sensoriamento remoto e fotografias aéreas, entre outros;

2. Investigações geológicas e geotécnicas: Devem ser realizados em campo e laboratório, coletando informações que
contribuam para a restauração sustentável, podemos citar como exemplo a toxidade do solo e a estabilidade dos despejos de resíduos que devem ser investigados antes da recuperação ser realizada;

3. Investigação meteorológica e climatológica: Irá nos permitir a avaliar a influência na poluição atmosférica e da água,
através de dados normalizados de temperatura, quantidade de chuva, umidade, padrões de ventos, entre outros;

4. Condições hidrológicas: É conjunto de informações sobre a quantidade, qualidade, movimento e armazenamento de água tanto acima quanto abaixo da superfície. A hidrologia vai ser determinada pelas características do clima, geologia,
topografia, solo e vegetação;

5. Condições topográficas: Trata-se das características superficiais de uma determinada área, como rugosa, ondulada,
suave ou lisa. A topografia nos entornos do local também influencia os planos e práticas de recuperação;

6. Condições do solo: Podemos incluir a capacidade de retenção de água do solo controlada pelos fatores combinados
de textura, agregação, densidade aparente e sobre toda a profundidade. Tem influência na produtividade da planta,
potência de lixiviação e reabastecimento de água subterrânea;

7. Condição da vegetação: Qualidade, quantidade e diversidade da vegetação no local. A comunidade de plantas em uma área pode ser nativa e introduzida, espécies sensíveis e tolerantes.

Na recuperação de áreas degradadas é necessário ter definido qual o uso futuro daquela área, sempre com o objetivo
de produzir condições ambientalmente estáveis que integrem a área perturbada ao ecossistema geral. Na elaboração do PRAD deve-se abordar:

Reconstrução topográfica: Não se deve de maneira alguma negligenciar a reconstrução topográfica, pois as formações terrestres resultantes são a base sobre a qual outras práticas de recuperação são executadas e eventuais usos de terras ocorrem. As características do solo pós-regeneração diferem do pré-pertubação, já que as propriedades geológicas e do solo não podem ser replicadas.

Projeto topográfico: Deve ter como base as propriedades após a recuperação ao invés das propriedades pré-perturbação. Devemos também tomar o devido cuidado para minimizar a erosão e o escoamento onde a cobertura do solo é removida temporariamente, juntamente com medidas de controle de inundação e de sedimentos que serão necessários para evitar danos.

Substituição do solo superficial e reconstrução do solo: A revegetação das superfícies recuperadas exige um meio de
crescimento adequado, que apresente propriedades físicas, químicas e biológicas adequadas de modo a sustentar o
desenvolvimento da planta.

As camadas superficiais do solo sempre apresentam teores mais elevados de matéria orgânica que podem ser utilizados na revegetação, a estocagem e reutilização dessas camadas superficiais do solo facilitam o processo de recuperação da área degradada.

A camada superficial do solo é de suma importância para uma recuperação bem-feita posteriormente, por isso existem técnicas de manejos específicas:

• Remoção da camada superior solo antes de perfurar;

• O material removido deve ser plantado imediatamente, caso contrário, deve ser empilhado em uma determinada área;

• A camada da superfície do solo deve ser distribuída como em aterros para evitar a erosão;

• A área onde o solo superficial for distribuído deve ser estabilizado com gramas e arbusto para proteger do vento.

Revegetação: Neste caso o objetivo vai de um simples controle da erosão até uma restauração de comunidades nativas. Os protocolos a serem utilizados irá variar de acordo com a região, local e uso da terra. O mais comum é que a nesse processo busque o desenvolvimento de uma comunidade de plantas que se mantenha indefinidamente sem atenção ou ajuda artificial e favoreça a fauna nativa.

Para o melhor resultado na revegetação é fundamental consideramos as variáveis ecológicas tais como: capacidade de
estabilizar o solo, a matéria orgânica do solo, os nutrientes disponíveis no solo e a capacidade de explorar água e nutrientes do subsolo.

Durante o período inicial da revegetação é indicado o uso de gramíneas devido ao seu rápido crescimento com ciclo de vida curto, leguminosas e forrageiras, buscando melhorar a nutrição e o índice de matéria orgânica no solo. A plantação de espécies mistas de importância econômica deve ser feita após 2-3 anos de gramíneas em crescimento.

Tecnologias de remediação

As técnicas de remediação vão buscar formas de neutralizar, transformar ou até mesmo eliminar substâncias que estão
contaminando o ambiente. Geralmente essas técnicas podem minimizar os efeitos da contaminação, mas, dificilmente poderá recuperar a área por completo.

Iremos listar algumas técnicas, mas você deve saber que elas se dividem em duas categorias. Ex situ, onde são utilizadas técnicas que removem o solo do local para ser descontaminado e posteriormente é colocado de volta no lugar de origem.

Outra categoria é a In situ, onde as técnicas serão aplicadas diretamente na área contaminada.

❖ Ex situ:

• Escavação: como o próprio nome sugere, aqui ocorre a remoção e disposição física do solo contaminado em um
aterro designado. Na maioria da vezes possui um alto valor para ser feito, porém traz rápidos resultados;

• Lavagem do solo/Extração de ácido: Consiste na suspensão ou dissolução do metal numa solução de lavagem a base de água.

❖ In situ:

• Encapsulamento: é um método relativamente simples, que consiste em cobrir a superfície do solo contaminado com uma capa dura. No entanto ele não remove contaminantes do solo;

• Solidificação: aqui o solo contaminado é misturado com estabilizantes, reduzindo a mobilidade. Possui um custo alto;

• Vitrificação: técnica em que o metal é quimicamente ligado dentro de uma matriz de silício-arsenatos;

• Limpeza do solo: técnica simples onde é utilizada a água ou compostos orgânicos para mobilizar o metal no solo;

• Fitorremediação/Fitoextração: técnica onde as plantas irão extrair os metais pesados do solo e acumulá-los na biomassa acima do solo.

Monitoração de áreas em processo de recuperação

O monitoramento ambiental é um processo em que é feito um acompanhamento contínuo, com base na coleta de dados e algumas variáveis ambientais, sociais, econômica e institucionais, buscando como objetivo final identificar qualitativa e quantitativamente as condições dos recursos naturais.

Para isso são usados alguns indicadores físicos e químicos que fazem o monitoramento do meio aquático. Entre esses indicadores estão a temperatura, transparência, turbidez, oxigênio dissolvido, demanda bioquímica de oxigênio, alcalinidade/acidez, dureza, nutriente, entre outros. Existem também os indicadores bióticos da água que abrangem a densidade relativa das comunidades zooplanctônica e bentônica existentes.

Todas as variáveis utilizadas no monitoramento devem ser sensíveis de tal maneira a detectar pequenas no sistema como
resultado das práticas de remediação e restauração. O monitoramento é baseado e algumas sentenças sequenciais que se interligam. A observação nos fornece dados de qualidade para estudo, que irão gerar informações valiosas. As informações que vão surgir a partir desses dados nos levará ao aprimoramento do conhecimento do problema, melhorando a precisão na tomada de decisão.

É importante que os dados obtidos sejam devidamente armazenados para a possibilidade do acompanhamento da situação da empresa, pelo poder público e para auditoria.

Fases de monitoramento

• Monitoramento de implementação: os dados coletados durante esse período irão informar se as medidas de remediação e restauração foram executadas de forma correta;

• Monitoramento de eficiência: os dados coletados durante esse período irão informar se as medidas implantadas
alcançaram os objetivos desejados;

• Monitoramento de validação: este é o monitoramento que apresenta o maior custo e leva mais tempo, sua realização
ocorre quando os resultados da remediação ou restauração não alcançaram seus objetivos e precisam ser corrigidos.


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1 comentário em “Reabilitação ambiental: Como é feita?

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